sábado, 23 de março de 2013

Minha vida comigo de 2013.


Há quase um ano atrás eu escrevi um post aqui falando que tinha cumprido 25% do meu Ano LaranjaComo o tempo passou rápido e eu mal senti. Meu ano foi ótimo, a saudade aperta, mas alguém aqui tem que trabalhar né?


E quando minha chefa me disse “O mundo costuma ser generoso com pessoas corajosas” ela estava certíssima, pois acredito que tive coragem pra deixar tudo aqui, e acredito que o mundo está sendo generoso comigo.

Agora já estou finalmente cursando o último ano da faculdade, já faço parte daquele grupo de estudantes que as pessoas não sabem como eles fazem, onde se escondem, o que comem e como vivem – Faço parte dos que estão já produzindo o TCC – e ainda por cima fazendo parte de um grupo super legal que me acolheu. Sai da classe au pair e fui pra uma classe menos favorecida ainda, a dos estagiários. Mas estou super feliz, é o trabalho que disse que estava deixando quando fui para a Holanda, cheguei e peguei-o de volta. É na área que eu gosto e na área que eu quero crescer. Falo com orgulho que sou mídia, e que trabalho na Globosat. Tô de volta também no meu antigo apartamento, no meu antigo quarto, e sendo vizinha dos meus antigos amigos. Comecei a levar uma vida saudável, entrei pro muay thai e já perdi todos os quilos extras que ganhei na Holandinha.

Confesso que de segunda a sexta não sei o que é ter tempo livre (e na Holanda não sabia o que fazer com tanto tempo livre), mas aos finais de semana consigo revezar em estudar, sair, tomar minhas biritinhas e dormir, dormir, dormir.

Pode ser meio egoísta da minha parte, mas bem queria que as amizades que fiz lá fora voltassem logo para o Brasil para nos encontrarmos por aqui e agora já faço unha na manicure novamente, coisa que nunca fiz na Holanda. (Sim, pobreza máster)

Agora minha alegria é acompanhar a nova geração de brasileiras na Holanda, responder e-mails de meninas que se interessam pelo programa e querem dica, e ver meu scrapbook.

Daqui 9 meses serei oficialmente uma publicitária, estarei oficialmente no mundo dos adultos, e fico feliz que tenha dado esse tempo para respirar e descobrir mundos. Foi a melhor escolha que fiz.

Como podem ver, eu não mudei tanto.

Formatura de quem estudou 3 anos comigo
na faculdade

Muay Thai




terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mudança de cores


E depois de quase dois meses sem escrever, cá estou eu de novo. Meu último mês na Holanda e meu primeiro mês no Brasil foram a 1000 km/h, confesso que eu estava quase virando o velocímetro.

Meu último texto aqui foi para contar que meu Gringolindo viria para o Brasil. Então, ele veio e amou, eu também adorei e ele já foi embora. Nesse meio tempo muita coisa aconteceu que quem sabe eu não me anime para escrever.

Quando nós chegamos ao aeroporto eu me lembrei de quando estava lá com minha família e amigos antes de embarcar para a Holanda. Eu me lembrei de quantas vezes eu passei por aeroportos no ano de 2013. Meu ano laranja passou todinho pela minha cabeça e eu cheguei a uma conclusão muito forte (que já era obvia para todo mundo) O meu ano laranja acabou. E isso não foi legal.

E às 17 horas e 25 minutos de uma tarde chuvosa em SP, foram embora pelo portão de embarque internacional o meu Bem e o meu Ano Laranja.  Mas espero que meu Bem volte, e espero que eu possa dar algumas pinceladas laranjas nesse ano verde e amarelo que começa agora.

E para você que vai ter um ano laranja, eu só desejo que vocês aproveitem ao máximo desde o primeiro dia, porque como diz a Cida: O tempo avua.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Gringolindo no Brasil


Dia 16 de dezembro retorno à terras tupiniquins e dia 27 de dezembro chega a minha mala extra, um gringo. Poizé, o meu Bem passará férias no Brasil. Eu já o adverti que ele pode nunca mais querer voltar, mas ele resolveu assumir o risco.

Eu já estava feliz por voltar para casa, rever todo mundo e levar uma vida normal, mas depois da notícia que ele tinha comprado o ticket eu preciso confessar que a volta para casa será um pouco menos sofrida.

Estou curiosíssima para saber o que um Holandês desses bem tradicionais, criado a pão de ló vai achar do Brasil, o coitadinho vive reclamando que os trens holandeses estão no horário somente 80% do tempo (e nunca tá cheio, e quase sempre tem wifi), imagina em São Paulo que nem horário tem o transporte público? (Eu sei que um dos programas turísticos será fazer baldeação na Sé às 18h00). Ele é tão holandês que achou estranho quando contei que usamos vassoura para varrer a casa, esquentamos água no fogão/micro-ondas e temos algo chamado tanque para lavar as roupas a mão. Mas já estamos com meio caminho andado, ele é fã de guaraná, caipirinha e açaí.

Mas enfim, e você Brasileiro/Brasileira que acompanham eu Blog? Tem dicas de coisas para eu fazer com o gringo? Deixem nos comentários e eu serei uma pessoa feliz.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Alquimia: Ótima comida e preços deliciosos.


 Como falei no último post encerramos nossa estadia em Paris num restaurante de cozinha francesa, o Chartier, situado em um prédio lindíssimo construído no período da Belle Époque localizado perto da Opera Garnier. Depois de ler essa descrição você deve estar pensando no preço, mas meu camarada, essa é a parte boa do negócio, os preços são super baixos.

O restaurante é citado em vários guias famosos, mas nem só de turistas vive o estabelecimento, muitos parisienses também o frequentam. Anteriormente lemos sobre a fila na entrada, então chegamos com certa antecedência (19h00) e vimos que o restaurante estava cheio, porém sem filas e resolvemos fazer uma hora tomando um vinho no bar vizinho. Quando voltamos (20h30) a fila já estava grande,  estávamos em dois então pulamos várias pessoas. Mas vou te contar um segredo pq a fila para casais é rápida – Você simplesmente divide a mesa com outros casais ou pessoas solitárias. Quando descobri isso logo na hora que sentamos o mau humor tomou conta de mim, não era nada do que eu queria num final de semana romântico em Paris com o Bem, mas logo depois vi que  era uma proposta bacana, o casal ao nosso lado eram dois jovens parisienses, ele já era frequentador antigo do local. Pontos. 

Quando o casal foi embora ficamos imaginando a historia deles, e nossa conclusão foi: Ele já é formado e paga DP em uma turma de primeiro ano na faculdade, cult, interessante e barbudo resolveu aproveitar da situação de estudar em uma turma de mais novos e convidou uma menina para sair, a levou em um bom restaurante que ele pudesse pagar e impressioná-la. A meninas está apaixonada e achando que o interesse do garoto é só por ela e que pode ser o início de uma história de amor, mas ele sendo mulherengo ou melhor dizendo, um cafajeste profissional, já sacou toda a história e em breve irá parar de respondê-la, mas sempre sendo educado para mantê-la na geladeira.

Mas enfim, o local como disse é cheio de glamour e lembra um pouco o café Tortoni em Buenos Aires, mas o serviço lembra muito churrascaria de beira de estrada no Brasil, um salão muito grande e abafado, mesas com toalhas simples e papel para proteger a toalha, dezenas de garçons cruzando todo o espaço com cinco pratos na mão, então se você estiver buscando por um bistrozinho charmoso em Paris, pode tirar seu cavalinho da chuva.

O cardápio é em papel, impresso no dia mesmo eu acho, e com algumas 10 opções de entrada e prato principal (que desde sempre são as mesmas). Nós pedimos terrine e escargots para entrada, pato e steak tartare de prato principal, merengues com chocolate para sobremesa, 2 garrafas de vinho, 2 garrafas de água e pão. E tudo isso nos custou apenas 60 euros para o casal. – (As entradas custam entre 3 e 7 euros, os pratos principais entre 12 e 17)

Recomendo a visita para todo mundo, mas principalmente para nós do bonde das au pairs.
http://www.restaurant-chartier.com/www/visit/filsdesans.php





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Paris je t'aime


"Paris tem cheiro de baguette. Mas tem também as ostras do mediterrâneo, os crepes bretões, o foie gras do sudoeste, os queijos de cabra de Savoie. É a terra dos singelos prazeres, como degustar uma tarde de sol e um vinho rosé no terraço de um bar em Montmartre, beliscando escargots. Sim, a vida aqui parece um filme”

Deixo aqui o meu profundo arrependimento por ter deixado Paris para o final, e por fazê-la somente em um final de semana.

Quando contei sobre Berlim ficou claro que fiquei apaixonada pela carga histórica da cidade mas com Paris resolvi fazer algo diferente... Fui musar (musar vem do latim: ser musa, diva) e ser uma boa vivant, viver na bohemia... 

Chegamos em Paris as 7h30 da manhã chapados de dramin e antes de tudo paramos para tomar café: croissant, baguette, marmelada, suco de laranja e café fresquinho e então começamos a nos perder pela cidade. Resolvemos passear no Jardim de Luxemburgo que não tinha muito movimento, Paris ainda dormia naquele momento e aos poucos a cidade foi ganhando vida.

Coitado do Bem
Visitamos Notre Dame, caminhamos a margem do Sena, ponte das artes, colocamos um cadeado com nosso nome na grade da ponte e jogamos a chave no rio.. E depois de muito romantismo o Bem foi abaixar para tirar uma foto minha e rasgou a calça, e assim caminhamos até nosso hotel esbanjando todo o charme que Paris demanda, ele foi obrigado a fazer comprar na cidade (quanta crueldade).

Dando continuidade ao nosso dia fomos almoçar e quando olhamos a hora decretamos que já era vinho hora (mal sabia eu que em Paris, toda hora é hora-vinho, e desce a primeira garrafa.. Com os dentes azulados passeamos pela Ilha de Saint Louis onde fomos tomar sorvete na Berthilon, altamente recomendado e quiçá até melhor que as sorveterias italianas (recomendo os sabores: Caramelo com gengibre, marrom glacê, figo e pera... São de comer ajoelhada).. Continuamos a caminhada e encontramos uma patisserie com um cheiro divino e sem peso na consciência fomos pra segunda sobremesa: pão de gengibre com caramelo e merengue com amêndoas (nesse momento agradeci por não ser Au Pair em Paris, eu estaria com muitos mais kilos extras que já estou). Com a pança cheia Já satisfeitos resolvemos fazer algo calmo e visitar a Shakespeare bookstore, estava um pouco lotada, mas com um moçinho tocando uma música tão suave e delicada no piando que ficamos mais um pouco, e decidimos então que era vinho-hora again e sentamos em um bar à beira do sena....

Às margens do Sena
Resolvemos então ir a um bar Nerd muito bacana e descolado com muito hypester e nerds de verdade (Le dernier bar avant la fin du monde) e de novo decretamos vinho-hora. Resolvemos caminhar ao ar livre e curtir as luzes da cidade e demos de cara com um supermercado, compramos vinho, baguette e queijo de cabra e camembert, água St Pelegrino (somos phynos) e fizemos nossa hora-vinho na beira do Sena – overdose de romantismo e companheirismo. E claro que uma das minhas exigências era ver a torre Eiffel a noite, e La fomos nós, mas acontece que tinha um mercado no caminho e compramos mais vinho e queijos e sobremesas.

“Domingo amanheceu com um tempo chuvoso, mas me animei lembrando-me de ‘‘Midnight in Paris”. O foco desse dia foi o topo da torre Eiffel, é Lindo de viver a vista lá de cima, e com disse minha amiga Jordana: “Se Budapeste é amarela, Paris é Branca.” Comer no Jules Verne era meio inviável, inviável e meio, mas o 58 é uma opção acessível e comemos de sobremesa o crepe da barraquinha em frente a torre que é muito bom.

De lá seguimos para o Arco do Triunfo que impressiona pelo tamanho e pela beleza e caminhamos ao longo de toda a Champs Elysees, que delícia de caminhada, rua cheia, pessoas bonitas, iluminação encantadora, e ainda de quebra ganhamos um presente, estava acontecendo uma feira de natal lá... Comemos muitos macarrons, tomamos vinho quente (sim o famoso quentão, que é super famoso nas barraquinhas parisienses), fomos passear pelas ruas de montmartre e decretamos vinho hora, e terminamos nossa estadia em Paris com um jantar num restaurante bacana que escreverei em breve (pois já me empolguei muito escrevendo sobre Paris) até nos darmos conta da hora e sair correndo para não perder o ônibus para voltar para a Holanda (eu queria muito esconder essa parte, o busão acabou com todo o meu glamour L )

Fui-me que hoje é dia de Jazz no Bebop, e já estou em clima de despedida.

Pequenos Prazeres Amelie Poulain

Hora-vinho

Good Morning Paris

Isso que dá muita hora-vinho

Bolo de gengibre com caramelo

Meia Noite em Paris

Torre Eiffel

Mon amour


domingo, 28 de outubro de 2012

Dancei bonito na blitz holandesa...

Como escrevi em um dos meus primeiros posts aqui no blog, as magrelas são usadas pra tudo a qualquer hora do dia e independente do tempo, não interessa se chove granizo ou se neva eu se o furacão katrina está passando por aqui (ops, sorry, o katrina já está meio démodé né? Melhor dizer Sandy) e tem algumas leis especiais para a magrela como fazer sinais com a mão, andar sempre na mão correta, usar luzes dianteiras e traseiras... E essa última me deu uma dor de cabeça...
Eu pedalava num humor não muito bom, pois estava um frio da #$%¨&, e só com a luz dianteira... até que viro a esquina e me deparo com uma blitz, sim uma blitz para bike e fu%¨& (bem coisa de holandês cheio de frescurite agúda) o Seu polícia me fez sinal para encostar e foi falando holandês comigo, eu já sabia do que se tratava e tentei fazer a linha simpática e soltei logo um “Ik spreek niet Nederlands” mas não colou, ele foi fazendo a linha dura, me fez ir em casa buscar meu passaporte e voltei com uma lanterna amarrada na bike com durex e foi um diálogo mais ou menos assim:

-Mas menina, isso não é uma boa ideia...
-Seu polícia, sei que a ideia não é boa, mas isso é “legal”?
-Até é legal, mas eu não aconselho....
-Poizé, acontece que eu sou au pair e depois dessa multa eu nunca que terei dinheiro pra comprar uma luz direita, me desculpe...

Mas voltamos ao ponto da multa ele me deu uma caprichada, e quando perguntei o valor esperanto uns 30 euros, ele soltou logo 51..  Nessa hora meu coração quase saiu pela boca, meu bolso começou a chorar, e as moedinhas que estavam no bolso quase saíram correndo de medo...  E o pior de tudo é que o seu polícia era quase um deus grego. Fui pra casa choramingando, e pensando como contaria para os meus host e como pagaria a multa...
Mas no final acabou tudo certo, o meu host disse que o policial estava errado de não aceitar minha identidade holandesa e pedir meu passaporte, e que quando chegar a multa em casa ele vai simplesmente rasgar e esquecer... O que me deixou alguns kilos mais leve por saber que não vou precisar usar o dinheiro de Paris e pagar uma multa de 51 euros.

Então você, futura au pair - ou atual -  tome cuidado com suas luzes.... Corre a boca pequena que entre outubro e novembro eles pegam pesado nas blitz...

Ao vivo e sem cores...

Portão do campo com a inscrição: Arbeit Macht Frei 
("o trabalho liberta".)
Esse post será inteirinho dedicado ao campo de concentração de Sachsenhausen, simplesmente a coisa mais emocionante que já vi em toda minha vida de 21 anos.
Localizado nos arredores de Berlim, o acesso foi muito fácil de trem. Cheguei peguei o meu áudio guia, vi a movimentação do lado de fora, saberia que seria emocionante, mas nunca imaginei que seria do modo que foi.
Logo na entrada, painéis contando parte da história, a casa onde os militares passavam por um treinamento para aprender a administrar outros campos da Europa, um museu, e enfim o portão de entrada para o campo, situado na torre A (O relógio da torre marca exatamente 11 horas e 5 minutos, quando se iniciou a “marcha da morte”, momento que os prisioneiros deixaram o campo rumo ao nada em condições precárias, e os que não conseguiam caminhar eram fuzilados).
Ao andar pelo campo tive uma das sensações mais estranhas da minha vida – não, não é exagero – um desolamento e a agonia pairam por lá, parece que até o sol tem vergonha de brilhar, um local sem cores... Percebi isso também olhando os outros turistas que estão por lá, cabisbaixos e com o semblante triste, não se vê pessoas sorrindo ou tirando foto como de costume em locas turísticos. O áudio guia vai contando a história sobre tudo e em alguns momentos tive a sensação de caroço de azeitona agarrado na goela, ao entrar nas cabanas era possível ver as situações precárias em que os prisioneiros viviam, camas amontoadas ou pequenos quartos forrados com um pano para 100 pessoas, banheiros mais precários ainda.
Estação Z
É possível ver também o paredão de fuzilamento, que recebeu o irônico nome de “Estação Z” – O pesadelo se iniciava no momento da entrada pela torre A e terminava na estação Z – vários países colocaram placas em homenagens às suas vítimas.
Os vestígios das câmeras de gás também são visíveis, e em minha opinião a parte que mais impacta – e eu lembrava constantemente do filme “O menino do pijama listrado”.
Na enfermaria é possível ver o local onde eram realizadas as autópsias – que de nada serviam – já que sempre eram declaradas mortes por velhice, pneumonia e outras doenças comuns da época com a finalidade de maquiar os crimes de guerra, e onde eram realizados testes com os prisioneiros ainda vivos.
Quando assisti “O menino do pijama...” pela primeira vez foi pouco antes de pegar o trem da madrugada de Varginha para São Paulo, eu passei a viagem inteira com um sentimento ruim, e acabei de assisti-lo novamente depois da visita, mas acho que foi meio pesado.
Mas enfim, acredito que seja uma visita que todos tenham que fazer e ver de perto as atrocidades cometidas por mero capricho.
Impossível fugir
 
Banheiro
 
Área de banho

Um memorial extremamente alto foi construído atrás da Casa dos Comandantes para deslocar a atenção dos visitantes a um ponto distante das atrocidades ali cometidas. No monumento, triângulos vermelhos simbolizam a bravura dos prisioneiros políticos.


Vestígios da comera de gás